Co-vinificação de Merlot e Tinta Roriz do Alto do Gavião, feita por pressão direta — sem maceração, sem extração forçada. O Merlot traz morango e pétalas de rosa; a Tinta Roriz entra com estrutura, acidez e um toque de romã. Cor salmão-cobre, final seco e persistente. O rosé mais ibérico do Alto do Gavião.
"Claret" é uma palavra com história. Por séculos, foi o nome que os ingleses davam aos vinhos de Bordeaux — aqueles de cor translúcida, leves, elegantes, a meio caminho entre um tinto e um rosé. A Quinta do Gavião resgatou esse nome para um vinho que segue essa tradição de delicadeza: feito por pressão direta, sem maceração das cascas, construído para ser preciso em vez de exuberante.
Mas há uma reviravolta ibérica nesse Claret. Ao lado do Merlot — casta que define os grandes rosés de Bordeaux e do Languedoc com sua fruta redonda de morango e framboesa —, a Quinta do Gavião escolheu a Tinta Roriz. Conhecida em Espanha como Tempranillo e no Douro como a casta dos grandes tintos portugueses, a Tinta Roriz faz nos rosés ibéricos o que o Cabernet Franc faz nos rosés de Provence: adiciona estrutura, acidez e aquela nota de romã e especiaria que transforma um rosé acessível num rosé com argumento.
As duas castas foram co-vinificadas — entraram juntas no tanque, fermentaram juntas, construíram juntas a identidade do vinho. Por pressão direta: as uvas chegaram à adega inteiras, foram prensadas suavemente sem nenhum contato prévio entre suco e casca, e o líquido que saiu foi direto para a fermentação. Sem maceração, sem extração de cor além do que a prensa delicada permite. O resultado é uma cor salmão-cobre — mais quente que os rosés de Provence, mais contida que os rosés de sangria —, com um nariz que combina o morango do Merlot com a romã e as ervas da Tinta Roriz.
A 750 metros de altitude no Alto do Gavião, com noites de 8°C durante a colheita de julho, as duas castas chegaram à adega com acidez natural alta e aromas precisos. Na boca, o vinho é seco, com corpo leve que não pesa, acidez que refresca e uma persistência que prolonga o final além do que a cor pálida sugeriria.
Um rosé de terroir e de método — para quem quer mais do que uma cor bonita na taça.
Ficha técnica: