Syrah varietal barricado da Fazenda Bom Retiro, colhido no inverno mineiro. Amora, pimenta preta e um toque defumado que lembra os grandes exemplares do Vale do Rhône — mas com a fruta concentrada e a acidez precisa do Alto do Gavião.
O Syrah é a casta que mais rapidamente revelou o potencial do Alto do Gavião. Plantado nas encostas da Fazenda Bom Retiro e colhido entre a segunda e terceira semana de agosto — o último mês da janela de inverno —, ele chega à adega com uma concentração que a chuva de verão nunca permitiria.
O perfil é inequívoco: amora madura, mirtilo e cassis no nariz, com pimenta preta e um toque defumado que aparece com o tempo na taça. Em climas quentes, o Syrah perde o que tem de mais elegante e vira potência bruta. No inverno do Alto do Gavião, as noites entre 12°C e 14°C garantem que os compostos aromáticos — especialmente os tiois responsáveis pelo perfume floral e pimentado — permaneçam intactos da uva à garrafa.
Um Syrah que conversa com o Rhône setentrional mais do que com o Novo Mundo. Para quem conhece Crozes-Hermitage ou Saint-Joseph, vai reconhecer o parentesco — e perceber o que o Alto do Gavião acrescenta de próprio.
Ficha técnica: